FUMO: “abrir os olhos e mostrar o valor do fumicultor”, propõe idealizadora da conferência

 FUMO: “abrir os olhos e mostrar o valor do fumicultor”, propõe idealizadora da conferência

“A gente espera valorização”, frisa Alcéia Jacyszyn, agricultora e moradora de uma propriedade de 3,5 alqueires no Faxinal dos Paulas, interior de Rio Azul. “Nosso objetivo é o diálogo, mostrar o nosso lado.” Levando esse clamor até representantes de classe, autoridades e empresas. Nisso a busca por preço justo e respaldo para manter o trabalho digno e pensar alternativas futuras e sustentabilidade para as propriedades.

Alcéia recorda de um “grande amigo” que conheceu a mais ou menos dois anos atrás: Emerson Bacil. “A gente viu a força, a vontade dele em trabalhar e representar os fumicultores de toda a região, de todo o Estado”, justifica. A produtora de fumo demonstra gratidão pelo apoio recebido do então deputado que defendia os agricultores de pequenas propriedades na Assembleia Legislativa do Paraná.

“A minha realidade de agricultora, de mulher da agricultura, é a realidade de todas as mulheres, não só de Rio Azul”, explica Alcéia. Desde o fato de acordar de manhã e adiantar o almoço, preparar o lanche e depois seguir para a lavoura. Tendo na relação familiar, e apoio do marido Edison e dos filhos: José Augusto e João Paulo, um alicerce firme da propriedade e busca de espaço para aos plantadores de tabaco.

Frente às mulheres, Alcéia cita a admiração por todas que trabalham em casa, lavando e cozinhando, cuidando dos filhos, e na lavoura. Tendo a representatividade feminina, mas sem se colocar nem em maior evidência, muito menos ficando na submissão ao homem. “Pelo fato de eu ser mulher, não quero que me coloque num pedestal. Só defendo a minha a classe. Eu defendendo a fumicultora, eu defendo a fumicultura”, frisa.

A agricultora é filha e neta de produtores de fumo e conhece muito bem essa realidade da lida no campo. Alcéia compreende que há muito respeito no papel dela no grupo de trabalho para promover a conferência. Ideia que surgiu ao criar, repentinamente, um grupo de WhatsApp por conta do fumo que ficou no paiol sem ser comercializado na safra de 2019/2020, deixando inúmeras famílias à deriva.

Por ter no vizinho José Natal Pichibileski a referência de um líder comunitário, Alcéia, a partir do grupo e promoção do debate, ampliou o contato via representante da Comissão de Acompanhamento e Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Tabaco (Cadec) e conseguiu promover a discussão com representantes das fumageiras. Colocando as demandas em evidência dentro da cadeia produtiva.

Vindo, num segundo momento, a promoção da conferência, com convite aberto para toda a região, informações e palestras relacionadas ao setor, sobretudo para a valorização do produto e luta por preços justos. “Esperamos que não pare nesse evento e ano que vem outro município faça”, observa. A idealizadora entende que é primordial unir os produtores e debater essas demandas de forma coletiva.

“Tentar tirar a venda dos olhos das pessoas, para elas enxergarem”, afirma. Assim valorizando suas propriedades, buscando informações e conhecimentos. A agricultora cita a importância da diversificação. Ela própria produz morangos para melhorar a renda para além do fumo, contudo frisando a necessidade de o poder público auxiliar, tendo na cultura sugerida, além de assistência técnica o mercado garantido.

Sobre a conferência, Alcéia esboça agradecimento a José Natal e esposa Louriane por inicialmente abraçarem a ideia. Depois, o engajamento do prefeito Leandro Jasinski e secretário de Indústria e Comércio Fábio Camargo em dar respaldo para realizar o evento. A agricultora destaca que as mulheres são ouvidas, caso dela dentro do grupo de trabalho ou grupos de WhatsApp. Disso a importância de marido e mulher participarem.

O recado que ela deixa é do papel dividido entre homens e mulheres. Tendo respeito mútuo e apoio entre o casal, juntamente com os filhos. Pensar e andar na mesma direção é o conselho que Alcéia passa, independentemente se for no meio rural ou urbano. “Elas trabalham fora de casa, elas trabalham em casa e deixam tudo arrumado para o outro dia. As mulheres, elas são joias raras”, reforça.

Da redação com imagem reprodução de Alcéia

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