Preço da soja registra recorde por demanda ser maior que oferta, segundo pesquisadores

 Preço da soja registra recorde por demanda ser maior que oferta, segundo pesquisadores

04/2019 – Porto de Paranaguá. Foto: José Fernando Ogura/ANPr

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) divulgou nota favorável ao produtor de soja no Brasil. Existe uma demanda maior que a oferta no mercado interno e isso tem levado ao registro de preços recordes nominais, segundo os pesquisadores. Há baixa disponibilidade do produto para comercializar dentro do país, diante da busca por compradores internos e externos neste final de mês.

Segundo a nota, dos pesquisadores do Cepea, “indústrias domésticas e compradores internacionais estiveram mais ativos nas aquisições da soja brasileira nos últimos dias. Porém, as compras foram limitadas pela baixa oferta. Isso porque a entrada vagarosa da safra e as incertezas quanto ao rendimento têm deixado sojicultores reticentes nas comercializações de grandes volumes”.

O Indicador CEPEA/ESALQ Paraná, por exemplo, avançou 1,7% entre 21 e 28 de janeiro, a R$ 180,32 a saca de 60 kg no dia 28 de janeiro. Esse é o valor nominal mais alto da série do Cepea, iniciada em julho de 1997. Outro parâmetro, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa aponta que Paranaguá registrou recorde nominal da série do Cepea, a R$ 184,22 pago pela saca de 60 kg, na quarta-feira, 26.

Na cidade portuária paranaense, contudo, dia 28 de janeiro, a média recuou para R$ 183,80 por saca de 60 kg, tendo alta de 2% em sete dias. Esses dados são do Cepea que é parte do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo (USP), localizada em Piracicaba. Tendo grande credibilidade e experiência nas avaliações econômicas brasileiras.

Essa informação fomenta a sustentação de preços, mantidos em alta na Bolsa de Chicago, onde os futuros da soja são negociados com fortes altas sendo registradas sucessivamente desde a semana passada. O clima desfavorável na América do Sul, onde se produz 1/3 da soja no mundo, é o principal fator nesse contexto, levando a maior demanda por soja estadunidense. Somadas ainda da questão geopolítica entre Rússia e Ucrânia, e portos graneleiros.

Os dois países operaram movimentos comerciais no Mar Negro, o que pode acarretar nova demanda de grãos para os estadunidenses, conforme especialistas. Enquanto isso, a China registrou a compra de 129 mil toneladas de soja dos Estados Unidos da América nesta segunda-feira (31/01), quase a metade referente à safra 2022/2023. A especulação é de que o país asiático recompõe seus estoques.

Nova comprar chinesa, de 25 a 30 milhões de toneladas, deve ocorrer em breve para o intervalo de abril a junho de 2022. O momento desfavorável da suinocultura da China reduziu o esmagamento de grãos, o que pode ser um adendo negativo, ou ao menos, segundo especialistas, pode influenciar compras mais pontuais e menos audaciosas no mercado internacional da soja.

Da redação com informações do Cepea, AEN e foto Porto de Paranaguá José Fernando Ogura/ANP

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