Uma história de superação e inspiração: conheça mais a vida do músico Rosnei Fagundes o “Nei”

 Uma história de superação e inspiração: conheça mais a vida do músico Rosnei Fagundes o “Nei”

Nei na escola de música onde da aulas para crianças, jovens e adultos

Hoje vamos contar um pouco da história de vida de um São-Mateuense de coração, Rosnei Fagundes, mais conhecido com Nei, natural da Lapa e que escolheu São Mateus do Sul para firmar suas raízes e repassar seu conhecimento de música, em suas aulas, levando através das mais diversas sinfonias muita alegria, diversão e sabedoria. Nei tem uma história linda que merece ser contada, pois serve de inspiração para muitos, visto os percalços que já passou, superou e hoje é exemplo a ser seguido, com um dom que muitos conhecem que é o da música, mas tem mais um dom, o da alegria contagiante.

Com um sorriso no rosto e a vontade de sempre aprender mais, e ensinar os outros, contagia todos que o conhecem e convivem com ele. Nei nasceu com uma má formação nas pernas, que ocorreu ainda na sua formação no útero da sua mãe. Ser cadeirante, é apenas um detalhe, que não impediu Nei de sonhar e ter uma vida totalmente normal, onde trabalha, estuda, dirige e diariamente passa seus conhecimentos aos seus alunos.

Nascido em 22 de janeiro de 78, Rosnei passou sua infância e parte da adolescência, morando na fronteira da Água Azul, Água Amarela e Carqueja, interior do município da Lapa, onde seus pais residem até os dias de hoje. O músico relata que teve uma infância como a de qualquer criança que morava no interior, cheia de brincadeiras, muita alegria, traquinagens e não escapava dos castigos se saísse fora da linha com os pais.

“Nunca fui tratado de forma diferente, meus pais sempre me trataram da mesma maneira que tratavam meus irmãos, chamavam minha atenção quando precisava e no dia a dia também tinha minhas tarefas, cozinhava, pra mim eu tive uma infância normal, assim como eles, nunca fui protegido ou mimado o que ajudou a mostrar que eu podia realizar tudo como os outros”, relembrou.

Ao contrário de hoje em dia, o incentivo aos estudos eram quase que nulos por parte do governo e a distância e a locomoção até a escola dificultaram a vida de Nei nessa fase da vida. “Naquele tempo não tinha muitas opções de estudo, não tinha incentivo do governo para seguir estudando, era tudo mais difícil, por isso, estudei até o fundamental e parei, mais tarde, quando me tornei adulto, que senti a necessidade de estudar, trabalhar, foi aí que busquei mais recursos, pois queria correr atrás dos meus sonhos”, explicou Nei.

Como a música entrou na sua vida e se tornou São-mateuense de coração?

Atualmente, Nei é professor de música em São Mateus do Sul, ensinando essa arte a crianças, jovens e adultos, o que começou como brincadeira, hoje é sua profissão, um dom que surgiu naturalmente. Autodidata, foi aperfeiçoando a cada dia, com os mais variados materiais e técnicas que aprendia na igreja, em revistas e com outros profissionais o que mais tarde chamou a atenção de outras pessoas que o incentivaram nos estudos.

“Eu sempre fui muito curioso, desde artesanato, sempre queria ver como era, como fazia e com a música não foi diferente. Desde criança sempre fui muito apaixonado por música, eu e meu irmão gostava também, ele até tentava fazer alguns instrumentos de madeira de brincadeira, até que meu pai comprou um violão quando eu tinha uns 12 anos de idade e comecei a tentar a tocar e minha mãe começou a levar os materiais de canto pra casa e a partir desse material que comecei a tocar e  comecei a cantar com ela, até que o pessoal da igreja viu  me convidou para tocar na igreja pois não tinham quem tocasse na época, e assim eu fui aprendendo, e tocando, comprando revistas de música e mesmo sozinho eu fui aprendendo a tocar cada vez melhor, primeiro comecei  no violão, depois no teclado e até hoje estou aprendendo, a gente nunca para de aprender”, frisou.

Nei dando uma palinha no violão

Nei já tocava na igreja e sentia a necessidade de voltar a estudar, mas alguns percalços o impediam, pois era longe, o que dificultava a locomoção, além dos custos. Diariamente nos deparamos com histórias de “anjos”, na vida das pessoas e na do Nei não foi diferente, ele contou que tinha um senhor na comunidade que era aposentado e sempre via ele tocando e participando dos eventos da igreja, e que em um certo dia o senhor foi falar com ele.

“Ele me pediu se eu tinha interesse em estudar e eu disse que sim, só não estava estudando devido às dificuldades financeiras e de locomoção, foi aí que ele disse que era aposentado e ele iria me ajudar e que eu não precisava me preocupar. “Ele me deu uma grande ajuda, me levava para estudar e incentivava, foi o que precisava para seguir nos meus estudos, ele só disse para ver onde eu queria estudar que ele me ajudaria”, lembrou.

Ele contou que começou a estudar na escola de música aqui em São Mateus do Sul e depois de três anos estava em um nível mais avançado, e já tinha até alguns alunos, tanto na Lapa, quanto aqui em São Mateus, foi aí que começou os seus planos de vir morar de vez em São Mateus do Sul. “Queria encontrar uma casa pra vir morar aqui, me estabilizar, terminar os estudos e seguir estudando música e como já tinha alguns alunos aqui, facilitou minha vinda”. Nei contou que tudo foi acontecendo naturalmente e felizmente seus planos deram certo e faz poucos dias que concluiu o ensino superior em Artes, o sonho do diploma de ensino superior que se realizou.

Como está a vida atualmente

Atualmente Nei da aula de vários instrumentos. “Comecei tocando violão e depois teclado que foi onde estudei música na teoria e prática, e piano clássico. A teoria abrange todos os instrumentos, muda a maneira de tocar, mas a teoria é parecida para todos, então hoje eu dou aula de acordeom, violão, teclado, viola, flauta, contra baixo, ukulele e cavaquinho”, relatou. A igreja foi onde tudo começou, com isso, a pergunta se ainda está tocando nas missas não poderia faltar, e mesmo após anos, sim, Nei tem o compromisso de uma vez por mês tocar na igreja, além de cobrir algumas faltas.

“Toco sim, e gosto muito de participar, pois foi na igreja que me criei, não toco tanto quanto antes, mas sempre que posso estou participando e tocando”, disse.

Acessibilidade

Nei contou que diariamente encontra percalços para locomoção e infelizmente na maioria dos espaços públicos, consultórios, lojas e comércio em geral, não há rampas de acesso, o que dificulta a acessibilidade. “Quando eu falo de acessibilidade não é só para o cadeirante, mas para aquela pessoa que se machucou e está com muleta, um idoso que não pode subir escadas, ainda falta muito para que o direito de ir e vir seja possível. Aqui em São Mateus até em lugares onde são realizados eventos existe dificuldade quando falamos em portas estreitas, são detalhes que fazem toda a diferença para quem necessita usar um determinado espaço”, contou. Mesmo ainda com muito a ser conquistado no quesito acessibilidade, ele contou que  muita coisa já mudou e aos poucos as pessoas estão se conscientizando e se preocupando com o tema.

Da redação Cultura Sul FM

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