Irati é notificado pelo Ministério Público sobre distribuição de “Kit Covid”

 Irati é notificado pelo Ministério Público sobre distribuição de “Kit Covid”

imagem ilustrativa

O Ministério Público (MP), através da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Irati, que possui competência quanto a Proteção da Saúde Pública, na pessoa da Promotora de Justiça Maria Luiza Correa de Mello, notificou o município para apurar, em 24 horas, existência de amparo legal e científico para distribuição do denominado “Kit Medicação para Covid” a pesssoas com suspeita de infecção da Covid-19. O documento expedido na terça-feira (25/05), informa que chegou ao conhecimento do MP que junto ao teste e atendimento médico, será fornecido um kit com sete medicamentos de maneira imediata, sendo eles: Ivermectina, Azitromicina, Hidroxicloroquina, Zinco Quelato, Vitamina D, AAS, Dipirona ou Paracetamol para todas as pessoas com sintomas da doença.

O prefeito de Irati, Jorge Derbli, anunciou na segunda-feira, (24/05), mudanças no protocolo de atendimento para Covid-19. Pessoas com sintomas gripais que buscarem atendimento na Unidade Sentinela passarão por consulta médica, coleta de teste RT-PCR e receberão uma receita padrão com sete medicamentos ainda que não se tenha o resultado positivo para a doença, que leva em torno de três dias para ficar pronto.

Dentre as considerações do MP, para o uso de cloroquina e hidroxicloroquina, o Conselho Federal de Medicina propõe considerar o uso em pacientes com sintomas leves no início do quadro clínico, em que tenham sido descartadas outras viroses (como influenza, H1N1, dengue), e que tenham confirmado o diagnóstico de Covid-19, a critério do médico assistente, em decisão compartilhada com o paciente, sendo ele obrigado a relatar ao doente que não existe até o momento nenhum trabalho que comprove o benefício do uso da droga para o tratamento do coronavírus, explicando os efeitos colaterais possíveis, obtendo o consentimento livre e esclarecido do paciente ou dos familiares, quando for o caso.

A prefeitura de Irati respondeu ontem (26/05), que utiliza o protocolo para enfrentamento da pandemia, redigido em 7 de agosto de 2020, que além do prefeito Jorge Derbli e da secretária municipal de Saúde Jussara Kublinski Hassen foi assinado pelo coordenador do Centro de Operações Especiais e Fiscalização (COEF), enfermeiro Agostinho Basso, pelo provedor da Santa Casa de Irati, Ladislao Obrzut Neto, médico da secretaria, Hugo Correia de Oliveira Reis, e pela médica Fabiana Dino Laskoski, diretora técnica do Pronto Atendimento. O protocolo foi baseado na orientação recebida do Ministério da Saúde para administrar medicamentos e prevê, além do esclarecimento sobre a falta de comprovação científica, a autorização expressa do paciente, com assinatura de um termo. No dia 15 de julho a secretária Jussara e o chefe da 4ª Regional de Saúde, Walter Trevisan, debateram o assunto em entrevista no Meio Dia em Notícias.

A resposta da prefeitura ao MP vem assinada pelo prefeito Derbli e a secretária Jussara. Eles justificam que “é de conhecimento que não há comprovação científica de medicamento ou vacina que proporcione a cura a covid-19, porém, os pacientes quando acometidos por tal patologia, procuram os serviços públicos ou privados para tratar os sintomas relacionados a doença”. Eles também disseram que com o crescimento exponencial da pandemia e as novas variantes, profissionais médicos que atuam na Unidade Sentinela de Atendimento para Covid decidiram utilizar o protocolo existente de maneira precoce, tentando desta maneira inibir a replicação viral na primeira fase, que é de sintomas gripais, para que não passe para a segunda fase, com comprometimento pulmonar.

De acordo com os médicos, a hidroxicloroquina, ivermerctina e zinco, em conjunto, teriam a função de inibir a replicação viral. O uso da azitromicina, que é um antibiótico, visa prevenir uma possível infecção pulmonar; o AAS, anticoagulante, para proteger de possíveis trombos; a vitamina D, fortalecer a imunidade e paracetamol ou dipirona para dores musculares e febre. O prefeito e a secretária afirmam que “os medicamentos não são distribuídos aleatoriamente, de maneira imediata, de forma indiscriminada”. Segundo eles, os pacientes passam antes por consulta médica que determinará se os medicamentos serão prescritos.

A Najuá procurou dois médicos que participaram da decisão que alterou o protocolo, Dr. João Henrique Sabag Duarte e José Maria Davaus para entrevista, mas ambos declinaram do convite. O enfermeiro Agostinho Basso, do COEF, disse que não participou da reunião que decidiu pelo tratamento precoce, nem o Dr. Ladislao, provedor da Santa Casa.

A Associação Comercial e Empresarial de Irati (Aciai), divulgou, via internet, apoio a ação do prefeito

Da redação com informações Radio Najúa

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