Em SC Protocolo de triagem define quem terá prioridade nas UTIs

 Em SC Protocolo de triagem define quem terá prioridade nas UTIs

Fabrício Escandiuzzi / SES

O Governo do Estado de Santa Catarina adotou um modelo de triagem para definir quem é prioridade na ocupação dos leitos de Unidades de Tratamento Intensiva (UTIs) nos hospitais do Estado. A decisão do uso do Protocolo de Alocação de Recursos em Esgotamento foi definida em reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) na sexta-feira, (26/03), e é encarado como uma medida extrema diante da fila de pacientes aguardando uma vaga de UTI no Estado, a fila de espera chega a 350 pessoas.

As regras são compostas por um sistema de pontuação que, segundo o documento, representa os objetivos éticos de “salvar o maior número de vidas, salvar o maior número de anos/vida e equalizar as oportunidades de se passar pelos diferentes ciclos da vida”. Assim, a faixa etária do paciente é um fator importante para a decisão.

Outra justificativa para o protocolo de triagem é “retirar das mãos de profissionais que estão na linha de frente do cuidado a responsabilidade de tomar decisões emocionalmente exaustivas”, especialmente em relação à alocação de leitos de UTI e ao uso de ventiladores.

O primeiro ponto de priorização de leitos para pacientes com covid-19 é em relação ao desejo prévio do paciente de ser contra ou a favor da Ventilação Mecânica Invasiva (VMI) ou do internamento em UTI.

Em caso positivo, a triagem ocorre por um sistema de pontos  Sequential Organ Failure Assessment (Sofa), somado ao prognóstico (expectativa de vida) menor de um ano e a faixa etária.

O modelo adotado vai de dois a 11 pontos, no qual, quanto menor é a pontuação de um paciente, maior será a sua prioridade de alocação de recursos escassos. De acordo com o documento, as maiores pontuações representam menores probabilidades de sobrevida a curto prazo.

A faixa etária é dividida em quatro grupos: até 49 anos, de 50 a 69 anos, de 70 a 84 anos e de 85 anos ou mais. Conforme a idade avança, maior é a pontuação atingida, logo, menor a preferência na fila de leitos de UTI.

Caso o paciente não queira nenhuma medida extrema, como UTI ou ventilação mecânica, será analisado se a morte é iminente, ou seja, está prestes a acontecer. Em caso positivo, o paciente terá cuidados paliativos na enfermaria. Caso a morte não seja iminente, ele também será tratado na enfermaria, mas em tratamento proporcional.

  • Prioridade 1: pacientes que necessitam de intervenções de suporte à vida, com alta probabilidade de recuperação e sem nenhuma limitação de suporte terapêutico;
  • Prioridade 2: pacientes que necessitam de monitorização intensiva, pelo alto risco de precisarem de intervenção imediata, e sem nenhuma limitação de suporte terapêutico;
  • Prioridade 3: pacientes que necessitam de intervenções de suporte à vida, com baixa probabilidade de recuperação ou com limitação de intervenção terapêutica;
  • Prioridade 4: pacientes que necessitam de monitorização intensiva, pelo alto risco de precisarem de intervenção imediata, mas com limitação de intervenção terapêutica;
  • Prioridade 5: pacientes com doença em fase de terminalidade, ou moribundos, sem possibilidade de recuperação.

Segundo o documento, ainda é recomendado que os pacientes com prioridade 2 ou 4 devem ser preferencialmente alocados em unidades semi-intensivas. Já pacientes com prioridade 5, devem ser admitidos preferencialmente em unidades de cuidados paliativos.

Da redação do Portal com informações Jmais

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