Uso da tecnologia vai transformar o jeito de trabalhar na construção civil

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A tecnologia vai entrar de vez em pauta na construção civil nos próximos anos. Essa é a projeção de especialistas do setor. E a mudança vai impactar e muito na cadeia de fornecedores e na mão-de-obra empregada, que terão de se qualificar nos novos modelos de construção para atender a essa demanda.

Comparada com outros segmentos da economia, como o automotivo, a construção civil tem muito a avançar quando o assunto é tecnologia. Mas esse cenário está prestes a mudar, garante José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Imagem: G1

“A construtora vai ser como uma montadora de carro. Depois do projeto pronto, será feita a montagem do prédio. Os fornecedores vão entregar o material pré-fabricado, pré-moldado e técnicos especializados farão a montagem. Não haverá mais espaço para tijolo sobre tijolo”, destaca.

Com papel fundamental em um canteiro, o mestre de obras, segundo Martins, terá de dominar também os conhecimentos como o da tecnologia BIM (Building Information Modeling – Modelagem de Informações da Construção), que cria digitalmente modelos virtuais de uma construção e permite melhor análise e controle do que os processos manuais.

Para o coordenador de Projetos Estratégicos da Construção Civil do Sebrae/Rio de Janeiro, Marcos Vasconcellos, não tem mais volta. A construção civil vai se aproximar do modelo da indústria automobilística. “Cada vez mais a construtora busca um sistemista (como é chamado o fornecedor de produtos acabados na indústria automobilística) que entregue soluções, não simplesmente mão-de-obra. Não quer mais quem forneça tijolo, quer a parede pronta”, explica.

Vasconcellos acredita que essa nova configuração abrirá espaço para o micro e pequeno empreendedor especialista, o que vai ao encontro também à Lei das Terceirizações, que permite à construtora terceirizar a contratação de funcionários. Em uma grande obra, detalha o coordenador, a incorporadora vai continuar precisando de instalador hidráulico, gesseiro e quem faça o madeiramento e instale os vidros. “Essa é a hora deles se qualificarem também como gestores do próprio negócio. Esses profissionais precisam se especializar e se colocarem à disposição do mercado, não somente de uma obra”, destaca.

Produto Interno Bruto (PIB) da Construção Civil no país deve crescer 2% em 2018 e, com isso, as empresas voltarão a contratar. Outro indicativo de que a curva se tornou ascendente é a perspectiva de investimento em habitação no período de 2017 a 2020, conforme estudo Construbusiness – Brasil 2020, construir, planejar, crescer. A pesquisa calcula que, em média, a construção de novas moradias deve mobilizar cerca de R$ 205,6 bilhões por ano nesse período.

“Independentemente da posição que você ocupa, de pedreiro a engenheiro, é preciso estar preparado. Quem não está qualificado, não será contratado”, afirma Jaques Bushatsky, pró-reitor da Universidade Secovi, em São Paulo.

A Universidade Secovi-SP foi a primeira do gênero no setor imobiliário, criada justamente para ajudar a suprir essa lacuna. Em mais de uma década de atividades, já formou mais de 22,9 mil alunos. Segundo Bushatsky, profissionais como o mestre de obras também já aprimoraram seus conhecimentos na instituição. O que a universidade oferece é certa sofisticação para que eles possam entender melhor as orientações de profissionais como engenheiro e arquiteto.

“Ninguém vai ensiná-lo (o mestre de obras) a cimentar, mas orientá-lo como economizar água, diminuir os custos no processo, conferir se os demais operários estão usando os equipamentos de proteção obrigatória”, exemplifica.

Historicamente, porém, a mão-de-obra que põe as paredes em pé na construção civil é formada por um contingente que aprende na prática, é qualificada pela própria construtora, ou faz os cursos como os oferecidos pelo Senai, que mantém espalhados por todo o país canteiros-escola. Conquistada a primeira vaga, essa turma normalmente não volta a estudar para aprimorar seus conhecimentos.

A qualificação é justamente uma carência do setor. Isso porque o trabalhador não costuma se especializar por conta própria. Mais da metade (58%) dos trabalhadores com carteira assinada ampliou conhecimentos em ações propostas pela própria empresa. Nesse universo, 70% fizeram curso em Segurança do Trabalho, ou seja, não aprimoraram suas habilidades em si, conforme um estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Daqui pra frente, a âncora da economia deve ser a construção civil, não mais a agricultura. Vai ser preciso construir mais casas para os brasileiros morarem. Estimativa do Secovi-SP com a Fundação Getulio Vargas (FGV) prevê que serão necessárias 14,5 milhões de novos domicílios para suprir o déficit habitacional até 2025.

O tamanho das famílias está diminuindo, menos pessoas por moradia.

Martins também acredita que o setor passará por uma grande revolução, com popularização de práticas que já ocorrem em outros países, como a impressora 3D na construção. Na Califórnia, nos Estados Unidos, na Índia, e na China já estão em testes equipamentos capazes de construir uma casa em poucos dias. Quando isso estiver pronto, o que parece coisa de ficção vai transformar o jeito de construir.

Matéria: G1.

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