Turismo férreo abre novas perspectivas no Brasil Meridional

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O sucesso da volta do Trem da Lapa – Maria Fumaça Mallet 204 que fez parte da programação de aniversário de 249 anos do município – coloca nos trilhos uma nova locomotiva turística. Expandindo uma nova perspectiva para o turismo férreo no Brasil, com reflexos imediatos, na região Sul.

Esse desejo é sustentado por entidades de diversas cidades e associações de municípios que vão do interior do estado de São Paulo até o centro do Rio Grande do Sul. Aumentaram sobre maneira, conforme o relato do diretor de Turismo da Lapa, Márcio Assad.

Respaldado por ser ferrovialista, pioneiro em turismo férreo no Brasil e “pai” do Trem da Lapa, o primeiro trem histórico utilizado para fins turísticos (de longa distância), ele comemora o resultado e momento ímpar. “O número de ligações telefônicas e mensagens que me chegam, nesses dias de pós evento do trem da Lapa, demonstram uma vontade reprimida de municípios e regiões em relação a poder ter um passeio em suas localidades”.

Márcio Assad ressalta que essas solicitações vem de diversas cidades do Brasil Meridional, entre o norte gaúcho e interior paulista. Contudo, segundo ele, existem vários critérios e normas a serem seguidos. “Além de uma análise técnica, econômica e financeira para se iniciar um processo de pedido de trens eventuais e ou comemorativos que caracterizam-se pelo transporte não regular de passageiros”, pondera.

Tendo, o objetivo de agregar valor aos destinos turísticos, contribuindo para a preservação da memória ferroviária. Ainda, configurando-se em atrativos culturais e produtos turísticos das cidades, auxiliando-as na diversificação da oferta. “Deve-se considerar também que o serviço de trem turístico e cultural em si não reúne as condições necessárias para transformar determinada localidade em um destino turístico”, explica.

Para isso, segundo ele é necessário que o município possua outros atrativos. “Sejam eles naturais, culturais, atividades econômicas, realizações técnicas, científicas, artísticas ou ainda eventos programados.” Também, para ser um destino turístico consolidado no mercadoné de fundamental que haja equipamentos turísticos, infraestrutura desenvolvida e recursos humanos qualificados.

O gestor de Turismo da Lapa cita outro ponto importante. “É o sistema de gestão do destino. Nesse caso, é recomendável que possua um Órgão Oficial de Turismo e um Conselho Municipal de Turismo e que envolva, além de outros entes públicos, iniciativa privada e terceiro setor”, relata.

A existência desses fatores é de fundamental importância para que haja fluxo turístico para dada localidade e, dessa forma, justifique a implantação de um projeto turístico e cultural de cunho ferroviário, envolvendo a implantação de um trem turístico. “Somente assim este poderá ser viável ao longo de sua operação e atingir sua finalidade”, ressalta Márcio Assad.

Outro lembrete é de que os municípios interessados precisam identificar se a malha ferroviária possui limitações e compartilha a utilização turístico-cultural, com o transporte de cargas, sob concessão. “Depende da análise das concessionárias que, pelas próprias normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres [ANTT] colocam essa condição como pressuposto básico, para qualquer pretensão, neste sentido”, destaca o diretor.

Imagens arquivo prefeitura da Lapa

No caso regional, conforme Márcio Assad, a concessionária Rumo Logística tem demonstrado grande sensibilidade em relação aos pleitos municipalistas e em conjunto com a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), operadora de trens históricos. “Buscam compatibilizar, quando isso é tecnicamente possível e cumpridos todos os pressupostos básicos, atender às demandas”.

O trem natalino, que foi um sucesso com repercussão internacional, segundo ele e baseado em crítica social e da mídia, foi uma demonstração inequívoca da Rumo em adotar uma postura permanente de aproximação e atendimento com as comunidades. Segundo informações, a atração para este ano será ainda melhor e abrangerá mais municípios e regiões do Brasil Meridional. “Vamos aguardar e conferir!”, avalisa o gestor e ferrovialista.

Da redação. Na foto: Márcio  Assad com Cris Viel, secretária de Turismo de Guaporé/RS, Rafael Fontana Presidente da Amturvales e Marlon Ilg vice-presidente da ABPF

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