Turismo férreo: sucesso gera novas espectativas!

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                           Maria Fumaça gera expectativas em cidades,                              mas passeios precisam de estudo e calendário

O charme do trem turístico pode ser levado para cidades paranaenses, catarinenses e gaúchas, mas dentro de um calendário previamente definido, com passeios eventuais, autorização da concessionária Rumo Logística e demais componentes turísticos. Passagem da locomotiva Mallet 204 por Ponta Grossa mobiliza entidades e incita interesse singular.

A opinião é de Márcio Assad, simplesmente, o pioneiro na viabilização de passeios de trem no Brasil. “Não é o trem que vai levar o turismo. E sim o trem é um meio de transporte que vai beneficiar o turismo de uma localidade”, frisa. A proposta não pode ser para curto espaço de tempo, por conta de que a Maria Fumaça entra como um componente do projeto.

Para isso, a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) e a Rumo Logística precisam analisar primeiro as condições técnicas. Depois, situação como a relação de uso dos mesmos trilhos de transporte de carga. O aparato da rede de hospedagem, recepção e alimentação devem ser levadas em conta, somadas de outros atrativos dispostos.

Passeios lotaram a Maria Fumaça

“Muitos municípios estão querendo, recebemos muitas ligações diárias. Mas não queremos criar uma expectativa que não se possa cumprir”, pondera Márcio Assad. Ele responde pela coordenação do Centro de Memória Ferroviária Lapa e, recentemente, proporcionou o retorno do Trem da Lapa, no aniversário da cidade. Mas tudo feito com programação e organização para ter sucesso.

“Tudo precisa ser planejado com antecedência e programado. Os passeios de trem precisam de um calendário prévio, até porque depende de autorização e precisa ser pensado caso a caso”, acrescenta. Trilhos que não tem transporte regular carecem de minuciosa verificação da engenharia especializada, bem como, local de embarque e desembarque e roteiro.

Pioneirismo

Márcio Assad foi o responsável pela implantação do inédito projeto “Turismo Férreo” na década de 1980. Passeios de Trem Lapa/Curitiba e um roteiro de nove dias foi este ponta pé inicial. Interrompido pela privatização da Rede Ferroviária Federal (RFF) por questões contratuais. Equipamento turístico adormecido até tempos recentes.

Projeto da década de 1980 – Turismo Férreo

Ao assumir o posto de diretor de Turismo da Lapa, o ferroviarista, e amante da história que puxou o desenvolvimento sobre trilhos pelo Brasil, buscou uma nova possibilidade para recuperar a ação. Procurou a concessionária Rumo Logística, detentora de concessão da malha ferroviária no Sul do país e viu na empresa a possibilidade de construir uma parceria.

A Rumo avaliou de forma positiva o projeto “Museu Dinâmico da Ferrovia”. Tanto é que acompanhou Márcio Assad em reunião na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Sendo aprovada a proposta e respaldada na concessionária. Isso garantiu o retorno da Maria Fumaça para a Lapa, na comemoração dos 249 anos.

Estava recuperado este elemento tão importante da história: o Trem da Lapa em passeios eventuais passando do sonho à realidade. Seguindo, neste mês de julho para Ponta Grossa, onde realiza passeios nos sábados e domingos até o dia 15, com horários e calendário previamente definido e aprovado por ANTT e Rumo Logística.

Perspectivas futuras

Os passeios de Trem na Lapa e em Ponta Grossa constituíram um novo oxigênio para o Turismo Férreo. Cidades da região metropolitana de Curitiba, Sul e Centro Sul do Paraná e Norte catarinense passaram a sonhar com a presença da Maria Fumaça e, junto disso, mobilizar o setor turístico.

Contudo, é necessário que a iniciativa se constitua atrelada aos quesitos da história e cultura férrea. Essa expectativa pode ser transformada em realidade, sim, de acordo com Assad. Mas para passeios eventuais e com inscrições prévias para ser parte de um calendário com esses roteiros itinerante e tecnicamente possíveis.

Isso porque não depende da simples vontade de querer a Maria Fumaça, mas da viabilidade econômica e técnica, principalmente. Da malha férrea e elementos que possam compor o atrativo turístico como um todo. “Nós temos ponderado justamente estes critérios”, acrescenta o diretor de Turismo lapeano.

Com esse conjunto de situações concretizado, passo seguinte é a autorização da ANTT e da Rumo Logística. Márcio Assad salienta que não se trata de algo fácil ou que possa ser articulado politicamente. Mas, o fato da Maria Fumaça ter feito passeios na Lapa e agora em Ponta Grossa com grande sucesso dão o tom de um novo horizonte, concreto e possível.

Agenda e caminhos

Nesta terça-feira (03/07), Márcio Assad teve agenda com o presidente da Fundação Municipal de Turismo (Fumtur) de Ponta Grossa, Edgar Hampf. A reunião tratou sobre possíveis parcerias entre os dois municípios. No leque dessas possibilidades, justamente, o Turismo Férreo, tendo um roteiro integrado e com datas definidas.

“Caminhos de Ferro” é o projeto que transita a Maria Fumaça, Mallet 204, nos trilhos do turismo pontagrossense. Passeio eventual numa cidade que teve, na sua história, conforme o presidente da Fumtur, o status de centro do maior entroncamento férreo do Sul brasileiro. “Temos uma estreita relação com a história e a formação”, completa Hampf.

Márcio com Edgar Hampf

Para Márcio Assad, mesmo com os pés bem fixos no chão, o sonho de ver a Maria Fumaça em outras cidades, além da continuidade na pioneira Lapa e em Ponta Grossa, parece bem palpável. “O fato de terem feito esse sucesso cria essa perspectiva muito positiva”, frisa. Mas muito prudente ele sugere justamente a criação do calendário.

Em meio a conversa, muitas mensagens vibram o telefone, mexem com a memória e dão estímulo no viés de fazer a vontade crescer. O celular de Márcio Assad enche de pedidos e solicitação para passeios de Maria Fumaças. Muitos municípios querendo contar com o Trem Turístico. Isso fortalece, ainda mais, segundo ele, este trabalho.

Pontuando, contudo, mais uma vez a relação da história do Trem com a cidade e região, malha viária e aval técnico para circular e solicitação com antecedência para Rumo Logística e ANTT analisar a possível liberação. Sendo bem possível, mas nesses critérios e, sendo parte, de um calendário desses roteiros, numa composição para atrair visitantes.

Da redação com fotos de Márcio Assad

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