Os perigos e consequências de emprestar seu nome para terceiros

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Diversas pessoas passam por um momento financeiro difícil, muitas vezes com o nome “sujo”, significando que está cadastrado em um dos órgãos de proteção ao crédito, como o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF) e ao Serasa, devido a uma dívida que não foi paga.

Foto: Blog Benvenuto

A reportagem do Portal Cultura Sul FM, foi atrás de pessoas que emprestaram o nome para alguém. Pra obter mais informações entremos em contato com a Câmera de Dirigentes Lojistas de São Mateus do Sul (CDL), o qual trabalham com o SPC Maxi, onde encontra se o cliente PF ou PJ possui registros no SPC e Serasa, títulos protestados ou cheques sem fundo, sustados, cancelados ou extraviados.

Segundo o CDL se a pessoa necessite utilizar o nome de outros para adquirir algo, significa que ela está sem acesso a crédito ou então, não tem renda suficiente. O problema é que se esse amigo ou familiar está em condições difíceis, será que ao pegar o nome emprestado de alguém ele será capaz de honrar seu compromisso?

Joseane Machado Vieira – Gerente Administrativa do CDL, explica que quem empresta o nome, assume a dívida e sendo assim, arcará com as consequências caso a dívida não seja paga, que pode ser protestos em cartório, inclusão do nome nos Bancos de Dados do SPC e Serasa.

Foto: Aceleralab

O SPC é o maior banco de dados de crédito e informações da América Latina, que vai muito além de apenas consulta de crédito, oferece ferramentas para Prospecção de Clientes, Análise de Crédito, Cobrança e Gestão da Carteira, por meio de consultas de SPC e Serasa.

A são-mateuense Elisabete Cordeiro emprestou seu nome para um de seus familiares, os quais compraram dois celulares custando R$ 3.600,00 reais, dividindo em 15 vezes, parcelas de R$ 240,00, porém dessas parcelas somente 8 foram pagas, custando R$ 1.920,00, faltando ainda R$ 1.680,00 para completar a dívida.

“Por muitos dias ficaram pedindo o meu nome emprestado. Por ser familiar e conhecer emprestei, porém tive que pagar a conta que não era minha, tendo prejuízos”, a consumidora são-mateuense não cortou vínculos com seus familiares, somente perdeu totalmente a confiança neles. – “Aprendi agora que não se deve emprestar o nome a ninguém em nenhuma hipótese”.

De acordo com o CDL, a maioria das contas registradas são de amigos onde chega uma margem de 26% dos casos, seguindo de parentes 21%, irmãos 16%, pais 11% e namorados 9%, Joseane frisa: – “Se essa pessoa está passando por condições financeiras difíceis, não conseguiu manter seu nome limpo, será que honrará seus compromissos afim de não comprometer o nome de terceiros?”.

O medo de magoar ou perder amizades, faz com que as pessoas emprestem seu nome, mas em 57% dos pesquisados, a relação com a pessoa ficou abalada após o não cumprimento com o compromisso financeiro assumido, sendo que em 18% dos casos, a amizade foi rompida, segundo o CDL.

O seu João emprestou seu nome para sua filha, a qual comprou um jogo de quarto avaliado em R$ 4.000,00 reais. Com o passar do tempo as prestações foram sendo pagas corretamente, porém começou a receber ligações da loja.

Foto: Tecnovia.

Nessas ligações os lojistas ressaltaram que seu nome iria para o SPC pois a conta não estaria sendo paga, então para não ter o nome sujo na praça, pagou a conta de sua filha, – “Por ser da minha família não cobrei a conta, mas não é a primeira vez que isso acontece, já tive que pagar contas de terceiros” relata.

 

Antes de emprestar o nome se certifique.

Muitos economistas alertam sobre o assunto e dizem que mesmo conhecendo todos os riscos, você decida emprestar seu nome, você pode exigir algum tipo de garantia, como, por exemplo, um contrato feito em cartório, nota promissória ou cheque pré-datado. Porém, isso não evitará que seu nome vá parar na lista de restrição de crédito. Mas, depois de pagar a sua dívida, você poderá entrar na Justiça para tentar receber o valor que desembolsou, caso a pessoa não te pague.

Quanto tempo o nome fina no SPC e Serasa?

O Código de Defesa do Consumidor, ressalta que o prazo máximo para cobranças de dívidas na justiça ou inserção do nome do devedor em cadastro de órgãos de restrição ao crédito, como SPC, Serasa e SCPC, é de 5 anos, a contar da data em que a dívida venceu e deveria ter sido paga.

Assim se a dívida não foi cobrada durando cinco anos contados de seu vencimento, o vendedor perde o direto de exigir a cobrança, mas pode ainda ser cobrada via carta e telefone. Nesse caso a cobrança somente poderá ser feita de forma educada e civilizada, jamais expondo o devedor em situação constrangedora.

Da Redação Portal Cultura Sul FM, reportagem: Lucas Ricardo Cordeiro Ferreira.

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