1ª passeata de combate ao feminicídio em São Mateus do Sul

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Segundo a Fundação Fundo Brasil que atua em defesa dos direitos das mulheres no país, a cada um minuto nove mulheres são agredidas. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesp-PR), o número de feminicídio aumentou 82,25% em relação ao ano de 2018 a 2019.

Em São Mateus do Sul, três mortes foram registradas nos últimos três anos. As vítimas Elza Ribeiro Micharski de 22 anos, Cleomara Aparecida Sorotenic Pereira de 29 anos e Daniela Kuba Vagner de 24 anos, foram homenageadas na 1ª passeata em combate ao feminicídio que aconteceu no centro da cidade.

Alunos e professores do Colégio Estadual São Mateus (CESM), levaram cartazes relacionados ao tema apoiando as mulheres vítimas do crime. “Eu acho que é obrigação da escola participar de uma passeata como essa, por meio da educação que iremos conseguir combater o feminicídio”, comenta a diretora do CESM Telma Staniszewski. Meninos e meninas lotaram a praça ao lado da rodoviária, incentivando a igualdade entre homens e mulheres. “Baseado neles que tentamos combater a questão do machismo, além da passeata tivemos uma palestra com o Doutor de Direito Carlos Eduardo Mattioli de União da Vitória, juntos tentaremos combater o feminicídio”, explica Telma.

Violência física, verbal, psicológica contra mulher se enquadram ao feminicídio. Segundo a presidente do sindicato dos psicólogos do Paraná Marly Perrelli, a ideia da passeata é a favor da vida e não a submissão da mulher. “Em São Mateus está ocorrendo uma morte por ano, não podemos permitir que isso continue, temos que ser assertivos.” Marly explica que a mudança irá acontecer se todas pessoas denunciarem e os atos contra violência. “Agora estamos iniciando para dizer mulheres e homens não a violência, pois é o velho ditado ‘Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher’, isso está errado precisamos defender as mulheres e seus direitos.”

Representando a força e coletivo das mulheres de São Mateus do Sul várias idealizadoras afirmaram que essa é a primeira de muitas passeatas em prol do combate ao feminicídio. “Quanto mais informações tivermos futuramente não iremos sofrer por falta de uma filha, um filho, uma mãe, um pai, eu percebo que se cada um de nós pregar o amor, não precisamos do ódio, neste caso estamos num ato em combate ao feminicídio, no meu entendimento seja com mulheres ou homens quanto mais fizermos o bem, o bem vem”, explica a empresária Maria Elizia Gogola (Nigia Gogola), que cita o exemplo da educação em uma tribo. “Não é o pai ou a mãe que educa é a aldeia inteira, seguindo este conceito, nós somos responsáveis pelas crianças mas também pela cidade, estado e país, chegou a hora de todos se ajudarem.”

A passeata contou com o apoio da Polícia Militar e teve início as 9h30 desta sexta-feira (13).

Reportagem: Lucas Polak