Grupo de amantes das tropeadas revive a história, numa viagem em mulas entre Guarapuava e a Lapa

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Pessoas de diferentes ramos de atividades e vida, mas que conservam um apreço pela história, ligado ao Caminho das Tropas. No caso, na ligação entre Guarapuava e Lapa, revivendo um dos ciclos que formou e deu essência ao Sul do Brasil: o tropeirismo. Um plano: percorrer o trecho montados em mulas e sem apoio de veículos, da forma que foi antes das ferrovias e rodovia, com partida programada para o dia 23 de novembro e chegada dia 1º de dezembro.

O tropeirista que é chefe de gabinete na prefeitura de Guarapuava, Leonardo Rauen, é um dos interlocutores do grupo que se propõe a este desafio, focados na manutenção da tradição. A partida de Guarapuava está sendo planejada há pelo menos seis meses e, nesta semana, o grupo percorreu o roteiro com objetivo de “abrir as porteiras” desta viagem. Disso, a passagem por locais e propriedades que estão no planejamento do percurso.

Na Lapa, os tropeiristas guarapuavanos foram recebidos pelos amantes da mesma história Márcio Assad e Hilário Rodrigues. O espaço da prosa, propositalmente pensado para a reunião: Museu do Tropeiro da Lapa, na localidade do Feixo. O espaço particular mantém coleção de materiais, objetivos e reprodução de ambientes relativos a este ciclo econômico. Uma das hastes centrais da preservação desta rica cultura.

“Com muito prazer que recebemos, com o seu Hilário aqui no Museu do Tropeiro este grupo que fará a viagem muito representativa”, disse Márcio Assad. O tropeirista lapeano, junto do proprietário do espaço destinado à coleção de materiais, são a referência para a conclusão da jornada guarapuavana. Num evento que liga a história das duas cidades.

“Guarapuava faz 200 anos de emancipação política este ano e a Lapa fez 250. São duas cidades históricas e muito importantes que têm em comum esta cultura”, frisa Leonardo Rauen. O tropeirista admite certa preocupação pelo desafio, que será feito sem o suporte de veículos. O mantimento e os suprimentos para a viagem, por exemplo, estarão nas bruacas (compartimento junto à sela das mulas).

A expectativa é de fazer o percurso em oito dias, saindo dia 23 deste mês e chegando no domingo da semana seguinte. No dia 1º de dezembro o grupo será recebido pelos lapeanos. Por sinal, Márcio Assad destaca o reconhecimento e relação dos tropeiros locais com o Paraná. Mudança recente, aprovada na Assembleia Legislativa, deixa a comemoração do estado na mesma data da Lapa – 26 de abril.

“O deputado estadual Emerson Bacil representante aqui da região, de São Mateus do Sul, ouviu nossa reivindicação para colocar o dia 26 de abril como dia comemorativo – Dia do Tropeiro – em todo o Paraná. Para nós é motivo de orgulho, até porque a Lapa comemora nesta mesma data, em que é pioneira no País. Estamos, apenas, no aguardo da assinatura do governador Carlos Massa Ratinho Júnior”, explica Márcio Assad.

A Lapa, por sinal, nasceu sob o tropel das tropas que vinham de Viamão no Rio Grande do Sul para a Feira de Sorocaba, em São Paulo. A 1ª Lei instituída no Brasil, em homenagens aos tropeiros (ano de 1966), é justamente do município da Lapa. “Estamos felizes por valorizar esta história e cultura. Nossa região se formou no caminho das tropas e nosso trabalho serve de apoio para o reconhecimento”, ressalta Emerson Bacil.

Da redação com informações e fotos do grupo de Guarapuava e Márcio Assad

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