Anvisa deverá manter aval a 2º agrotóxico mais vendido do país

Segundo a Anvisa, análise de estudos atuais apontam que o produto não é carcinogênico, mutagênico ou teratogênico

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Um dos ingredientes ativos de agrotóxicos mais vendidos do país, o 2,4-D deverá ganhar aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para continuar no mercado, embora com novas medidas de segurança para o trabalhador e populações que vivem próximas a áreas de cultivo.

Aplicação de agrotóxicos em plantação de arroz – Foto: MaxPixel – / EBC

A previsão é que a proposta seja apresentada nesta terça-feira (14) em reunião com diretores da agência. A análise ocorre após conclusão da reavaliação toxicológica desse produto, processo que verifica a existência de possíveis novos critérios de riscos à saúde.

Segundo a Anvisa, análise de estudos atuais apontam que o produto não é carcinogênico, mutagênico ou teratogênico, ou seja, não causa câncer, mutações e outros danos graves, como má-formações em fetos. A ausência desses critérios levou a Anvisa a se posicionar pela manutenção do produto.

Trabalhadores e moradores de áreas próximas, porém, estão mais vulneráveis a possíveis riscos de intoxicações devido à exposição maior ao produto -daí a necessidade de novas medidas de controle.

“Tivemos uma preocupação em aprofundar a avaliação toxicológica de forma a dar decisão mais apurada possível. Para o consumidor, não há motivo de preocupação. Mas para o trabalhador e residentes, são necessárias medidas para reduzir a exposição e evitar situações de risco”, afirma a gerente de monitoramento e avaliação da Anvisa, Adriana Pottier.

Entre essas medidas, estão a adoção de margem de segurança de dez metros para uso do produto em regiões onde há população residente próxima a áreas de cultivo; uso obrigatório de equipamentos para evitar que o produto se espalhe além do necessário; veto à aplicação do 2,4-D pela mesma pessoa com o uso de trator e novos limites para entrada de trabalhadores em áreas tratadas.

Antes, esse prazo era geralmente de um dia. Agora, deve passar a variar entre dois e 31 dias, a depender da cultura e da quantidade aplicada. Fora desse prazo, a entrada poderá ser feita apenas com o uso de luvas e outros equipamentos específicos para proteção.

Desde 2013, o 2,4-D é o segundo ingrediente ativo de agrotóxico mais vendido no país, atrás apenas do glifosato. Só em 2017, foram comercializadas cerca de 60 mil toneladas do ingrediente, de acordo com dados do Ibama.
Atualmente, seu uso é indicado para até 13 culturas, caso do arroz, aveia, café, cana de açúcar, milho, centeio, cevada, soja e trigo, por exemplo.

No Brasil, o produto foi registrado pela primeira vez na década de 1970. Em geral, registros de agrotóxicos têm validade indeterminada, sendo suspensos pelas empresas ou após processos de reavaliação devido à suspeita de riscos à saúde e ao meio ambiente.

Da redação com informações da Banda B.

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