PA superlota e pacientes reclamam da gestão e demora

"Protocolo de Manchester" poderia ser adotado para auxiliar na definição de prioridade e tempo de atendimento

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Pacientes que procuram a unidade de Pronto Atendimento (PA) de São Mateus do Sul sofreram com a demora no atendimento. Superlotada, a unidade registrava espera de mais de seis horas, conforme informaram (e divulgaram em vídeos por redes sociais) algumas pessoas que estavam presente na noite de sexta-feira (28/12).

“Falta de gestão”, “incompetentes”, “não se preocupam com a população”. Frases ditas por pessoas (não identificadas para preservá-las) em reclamações à Rádio Cultura Sul FM. Alguns vídeos foram encaminhados e mostram a situação na unidade. Há alegação, de diversos usuários, de que a prefeitura de São Mateus do Sul não intercalou a gestão de médicos, para prestar o atendimento à população.

Não somente adultos, mas crianças e idosos aparecem nos vídeos publicados. A falta de médicos, durante toda a semana, deixou a população com atendimento, supostamente, precário. Um dos principais postos de consultas, o ambulatório na Vila Prohmann, está fechado desde o dia 26 de dezembro, sendo que o retorno está previsto, somente, para o dia 02 de janeiro de 2019.

Um rapaz, que não quis ter o nome divulgado, conta que necessitou de atendimento no ambulatório, pois estava com dores de cabeça. Porém se deparou com a unidade fechada e, então, se dirigiu até o Pronto Atendimento. Ao chegar no local, encontrou a unidade lotada.

Diante da situação ele desistiu do atendimento e voltou para casa sentindo dores. “Prefiro ficar com essa dor de cabeça do que tirar a vez de alguém que precisa mais do que eu. Também a lotação deixa a gente mais desanimado em ficar esperando e, muitas vezes, após seis a sete horas na fila para receitarem paracetamol” comenta.

De acordo com uma colaboradora do Pronto Atendimento, Susane Metzger, em conversa com a reportagem, na sexta-feira (28/12) haviam dois médicos plantonistas. Porém, um deles realizava o horário “cinderela”, onde atendeu somente das 18h às 22h e a médica nova, que iniciou os trabalhos na data de ontem no município. Ainda, de acordo com a funcionária, um dos maiores problema foi o ambulatório estar em recesso. Isso superlotou o Pronto Atendimento, com consultas não emergenciais.

A chefe de Urgência e Emergência da Rede do Sistema Único de Saúde (SUS), Vanilce Valente do Amaral, explica que o município tem um contrato, terceirizado a PA (PROHEATH). Nele consta o número de hora fixa, que é de 31 dias do mês, 744 horas trabalhadas, por mês, 24 vezes por 31 dias.

“Temos um horário que varia 340 no mês. Esse horário permite trabalhar da maneira que a demanda exigir. Então, desde que entrou na gestão, reduziu um médico da sexta-feira, onde ele faria o plantão, dividido o valor do saldo, por todos os dias da semana”, conta.


Durante a semana, o PA conta com dois médicos no horário de pico que seriam das 17h às 21h, um deles fica com as emergências e outro no sistema cinderela, segundo a chefe do setor. “Nesses dias, que o prefeito [Luiz Adyr Gonçalves Pereira] decretou o recesso e o ambulatório não abriu [sic]”. Isso aumentou o atendimento do médico deste atendimento variado, o chamado “cinderela”, afirma a Chefe.

A profissional que responde pelo setor listou os atendimentos feitos, por cada profissional da empresa contratada e alegou que, colaboradores do PA, entraram em contato com a empresa, mas nenhum dos médicos que prestam serviço à contratada estava na cidade ou poderia se dispor em atender aos pacientes, em especial no avançado do horário 23h30.

Quanto às crianças que estavam na unidade, segundo Vanilce Valente do Amaral, foi chamado o pediatra de sobre aviso para o atendimento delas. Ainda, segundo ela, 25 pessoas que estavam na triagem, foram embora. Sobre o atendimento da médica que estava na unidade, a chefe do setor alegou que a maioria dos casos era de diagnóstico básico emergência, nem urgência.

Às 2h da madrugada Valnice deixou o PA onde cinco pacientes permaneciam na unidade, na triagem. Com seus atendimentos a serem feitos posteriormente. A reportagem entrou em contato com a secretaria de Saúde e aguarda, caso os responsáveis assim desejem, novas informações sobre estes casos relatados.

Protocolo de atendimento


Existe o chamado “Protocolo de Manchester”, adotado em alguns municípios e estados brasileiros. Nele se estima que, no caso de risco de morte o atendimento deve ser imediato, qualificado pela cor vermelha. A tonalidade laranja define atendimento muito urgente e estima em dez minutos, por ter risco de evoluir para a morte.


A cor amarela define urgência e coloca tempo de até 60 minutos. Casos pouco urgentes usam a cor verde e o paciente pode aguardar até duas horas, por ter baixo risco de agravo. Atendimentos de atenção primária, não urgente, podem aguardar até quatro horas, por não apresentar riscos eminentes. Exemplo desse atendimento foi adota pela prefeitura de Arapongas/PR e Londrina/PR.

Da Redação Portal Cultura Sul FM.

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